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Quando se dá a partida a qualquer processo de mudanças, é natural que surjam as reações que acompanham todas as inovações. O entusiasmo dos que aplaudem as mudanças e se empenham em estudá-las, ansiosos por adotá-las em sua esfera de atuação, é contrabalançado pelas reação oposta dos que se assustam diante de qualquer novidade e a consideram "perigosa", ainda que não a conheçam em todos os seus detalhes. O esforço para converter o atual Programa Escoteiro em um Programa de Jovens, que se iniciou nas Alcatéias, com a chegada do novo manual do escotista ramo lobinho, não poderia fugir à regra e, como toda mudança, vem despertando as duas espécies de reação. E surgem, assim, as esperadas manifestações contra o macpro (Método para Atualização e Criação Permanente do Programa de Jovens), principal instrumento utilizado nesse esforço. Numa tentativa de acalmar as inquietações dos que temem
o macpro e receiam que as mudanças em andamento vão acabar
por comprometer o Escotismo, descaracterizando-o e privando-o do "sabor"
que atrai crianças e jovens, vamos dissecar algumas idéias
que podem contribuir para facilitar a correta compreensão do momento
de transição que estamos atravessando. Programa Escoteiro X Programa de Jovens O Escotismo que hoje praticamos se apoia em um Programa desenvolvido por meio das chamadas Etapas de Classe, onde requisitos de natureza educativa (por exemplo: Conhecer e aplicar os cuidados de higiene individual) se mesclam com outros que são de natureza tipicamente escoteira (por exemplo: Saber fazer os nós direito, de escota, de correr e a volta do fiel, conhecendo sua utilização). É natural que um grande número de escotistas se sinta muito mais à vontade desenvolvendo atividades que permitam à criança ou ao jovem vencer os requisitos de natureza escoteira, em lugar de atividades que os levem a superar os desafios de natureza educativa. Normalmente, é muito mais simples organizar e realizar, de forma atraente para o menino, uma atividade destinada a ensinar os nós exigidos dos Noviços do que uma atividade relacionada com o conhecimento e a aplicação dos cuidados de higiene individual. É por isso que dedicamos muito mais tempo às atividades voltadas para os requisitos de natureza escoteira, relegando a um plano secundário as atividades de natureza educativa. Assim, o Programa que realmente aplicamos é, na verdade, um Programa Escoteiro, isto é, um programa destinado a formar Escoteiros, em lugar de um programa destinado a educar crianças e jovens, e o nosso Escotismo parece ter perdido de vista o seu propósito de contribuir para que o jovem assuma seu próprio desenvolvimento, especialmente o do caráter, ajudando-o a se desenvolver em todas as áreas que se integram em sua personalidade. A transição que está em curso pretende, justamente, substituir o atual Programa Escoteiro por um Programa de Jovens, desenvolvido a partir de objetivos educativos que levam em conta o grau de desenvolvimento das crianças e dos jovens e centrado em atividades que efetivamente contribuam para a conquista de tais objetivos, e o MACPRO é, apenas, o instrumento que estamos utilizando para criar e manter sempre atualizado esse Programa de Jovens. Método Escoteiro e Programa de Jovens Um aspecto especialmente relevante da transição que está em curso é que, em nenhum momento, se cogitou de introduzir qualquer alteração no Método Escoteiro. Ora, se o Método permanece inalterado, não existe o risco de que o Escotismo venha a se descaracterizar ou a perder o "sabor" que atrai crianças e jovens; basta que aprendamos todos a organizar e realizar, sempre empregando o Método Escoteiro, atividades voltadas para a conquista de objetivos educativos. Assim, os nós e as amarras, o lampião e o fogareiro, as barracas e os acampamentos, os sinais de pista e as pioneirias continuarão presentes em nossas atividades, ao lado de todos os demais artifícios que se integram no Método Escoteiro, não porque sejam requisitos a serem conquistados pela criança ou pelo jovem como parte do seu desenvolvimento, mas porque são componentes essenciais do método que o Escotismo utiliza para educar crianças e jovens no rumo do pleno desenvolvimento. Como decorrência, as chamadas técnicas escoteiras deixam de ser Etapas de Classe e retomam a posição original que Baden-Powell lhes destinou no grande jogo do Escotismo: um precioso atrativo para a criança e para o jovem e, principalmente, um valioso instrumento a facilitar a aproximação e o diálogo entre adultos e jovens. A Transição: Vantagens e Desvantagens Enfrentar a transição, e passar do Programa Escoteiro para o Programa de Jovens, é uma necessidade imperiosa, se pretendemos que o Escotismo seja efetivamente capaz de alcançar o seu propósito. A convergência na direção do nosso propósito é a mais importante vantagem que poderemos extrair dessa transição. É ela que assegurará ao nosso trabalho a credibilidade e o valor diante das famílias dos nossos membros juvenis, da comunidade que acolhe o nosso Grupo Escoteiro e da sociedade, como um todo. É ela que nos dará a certeza de que o nosso esforço permitirá que milhares e milhares de crianças e de jovens cresçam e se desenvolvam no rumo da plena cidadania, sempre se aproximando do perfil de saída descrito em nosso Projeto Educativo. Como vantagem adicional, a transição nos permitirá enriquecer o nosso repertório de atividades, a ele incorporando uma extraordinária variedade de coisas que a criança e o jovem devem fazer, como parte das tarefas de desenvolvimento atribuídas à sua faixa etária, e que gostarão de fazer, se adequadamente projetadas, organizadas e realizadas de acordo com o Método Escoteiro. Mas a transição, como tudo na vida, também apresenta suas desvantagens. Ela exigirá de todos um grande esforço para modificar velhos paradigmas aos quais estamos habituados. Ela demandará um cuidado maior na organização e na realização das atividades. Principalmente, ela exigirá que deixemos de lado a posição de instrutores de técnicas escoteiras, com que alguns de nós nos contentamos, para que nos convertamos, todos, em facilitadores de um Programa de Jovens orientado para a formação de futuros cidadãos e cidadãs. Fonte: Programa de Jovens |
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União dos Escoteiros do Brasil |
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